Obstinação, intensidade e perfeccionismo

Biografia de Steve Jobs por Wlter IsaacsonAcabei de ler a Biografia de Steve Jobs por Walter Isaacson. O livro é fabuloso, conta com detalhes a vida de Jobs, de forma imparcial, sincera e democrática, mostra suas melhores e piores características.

Steve não tinha a inteligência como essência, nem mesmo foi um gênio, ou talvez tenha sido um gênio da criação. Resumo Steve Jobs em 3 palavras:

Obstinação:

Steve teve uma percepção única da capacidade de criação do homem, do quanto somos capazes de fazer, criar e influenciar o meio, e viveu isso, realmente viveu isso. Via na simplicidade a solução para tudo e acreditava na criação de produtos únicos, perfeitos e úteis para as pessoas, mas para muitos produtos inconcebíveis.  Com os funcionários da Apple, criou o que ficou conhecido como  “campo de distorção da realidade”, onde convencia os colegas a fazerem o que todos acreditavam que não era possível, e então acabavam fazendo, inventando soluções e conceitos ou quebrando regras e padrões.

Na criação de produtos, acreditava que as pessoas não sabiam o que queriam, criava produtos para mostrar a elas o que elas precisavam, usava uma frase de Ford como exemplo: “Se eu perguntasse aos consumidores o que eles queriam, teriam dito: um cavalo mais rápido”. Jobs acreditava em suas ideias e simplesmente fazia o que era necessário para executá-las.

Intensidade:

Podemos entender intensidade como o valor de grandeza de uma força. Jobs viveu no limite, em tudo que fazia tinha a doação de um leão defendendo sua comida e a sinceridade de uma criança cheia de medo. Era capaz de ficar dias trabalhando sem parar na busca de uma solução. Na relação com as pessoas, ou você era um gênio ou não prestava, para os produtos, ou era uma porcaria ou o melhor produto que já tinha visto.

Jobs necessitava estar no controle de tudo, desde a ideia inicial de um produto até os processos de venda. Nenhum detalhe passava desapercebido, nunca!

Perfeccionismo:

A busca da perfeição era insana, ao ponto de derrubar um prédio porque a posição das escadas e do elevador estava ruim ou jogar fora o trabalho de 6 meses de uma equipe para alterar a posição do vidro na tela no IPhone.

Jobs buscava a simplicidade em tudo. Para ele, o produto ideal tinha o equilíbrio entre a ciência e a humanidade, a perfeição estava na interseção entre a ciência e o humano, para Steve, chegar a este ponto era Magia e Arte. Muitos dos grandes criadores provocavam inovação porque compreendiam a totalidade de uma situação, outros faziam pelo domínio dos detalhes, Jobs fez as duas coisas, insistentemente. Sempre buscou a magia e a arte em seus produtos.

Steve tinha uma relação muito forte com a música, apreciava Bob Dylan, sua música favorita era Like a Rolling Stone:

Trecho final do livro.

Steve Jobs:

O que me incentivava? Acho que a maioria das pessoas criativas quer manifestar o seu apreço por ser capaz de tirar partido do trabalho feito por outros antes. Não inventei a língua ou a matemática que uso. Preparo pouco da comida que como, e nenhuma das roupas que visto. Tudo que faço depende de outros membros da nossa espécie e dos ombros sobre os quais ficamos em pé. E muitos de nós querem dar uma contribuição para a nossa espécie também e acrescentar alguma coisa ao fluxo. Tem a ver com tentar expressar algo da única maneira que a maioria de nós e capaz de fazer – porque não somos capazes de escrever as canções de Bob Dylan, ou as peças de Tom Stoppard. Tentamos usar os talentos que temos para expressar nossos sentimentos profundos, para mostrar nosso apreço por todas as contribuições feitas antes de nós a para acrescentar algo ao fluxo. Foi isso que me motivou.

Walter Isaacson:

Numa tarde ensolarada, quando não se sentia bem, Jobs sentou-se no Jardim atrás da casa e refletiu sobre a morte. Falou de suas experiências na Índia quase quarenta anos antes, de seus estudos sobre o budismo e de suas opiniões sobre a reencarnação e transcendência espiritual. “Sobre acreditar em Deus, sou mais ou menos meio a meio”, disse. “Durante a maior parte de minha vida achei que deve haver algo mais na nossa existência do que aquilo que vemos.”

Ele admitiu que, diante da morte, pode estar superestimando as chances, pelo desejo de acreditar numa outra vida. “Gosto de pensar que alguma coisa sobrevive quando morremos”, disse. “É estranho pensar que a gente acumula tanta experiência, talvez um pouco de sabedoria, e tudo simplesmente desaparece. Por isso quero realmente acreditar que alguma coisa sobrevive, que talvez nossa consciência perdure.”

Ficou em silêncio por um bom tempo. “Mas, por outro lado, talvez seja apenas como um botão de liga-desliga”, prosseguiu. “Clique! E a gente já era.”

Fez outra pausa e sorriu de leve. “Talvez seja por isso que eu jamais gostei de colocar botões de liga-desliga nos aparelhos da Apple.”

Já quando estava muito doente, em seu quarto, alguns meses antes de morrer, Jobs falou para Isaacson: “Eu fiz tudo que podia ter feito.

E nós, será que fazemos tudo que podemos fazer?!

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