Obstinação, intensidade e perfeccionismo

Biografia de Steve Jobs por Wlter IsaacsonAcabei de ler a Biografia de Steve Jobs por Walter Isaacson. O livro é fabuloso, conta com detalhes a vida de Jobs, de forma imparcial, sincera e democrática, mostra suas melhores e piores características.

Steve não tinha a inteligência como essência, nem mesmo foi um gênio, ou talvez tenha sido um gênio da criação. Resumo Steve Jobs em 3 palavras:

Obstinação:

Steve teve uma percepção única da capacidade de criação do homem, do quanto somos capazes de fazer, criar e influenciar o meio, e viveu isso, realmente viveu isso. Via na simplicidade a solução para tudo e acreditava na criação de produtos únicos, perfeitos e úteis para as pessoas, mas para muitos produtos inconcebíveis.  Com os funcionários da Apple, criou o que ficou conhecido como  “campo de distorção da realidade”, onde convencia os colegas a fazerem o que todos acreditavam que não era possível, e então acabavam fazendo, inventando soluções e conceitos ou quebrando regras e padrões.

Na criação de produtos, acreditava que as pessoas não sabiam o que queriam, criava produtos para mostrar a elas o que elas precisavam, usava uma frase de Ford como exemplo: “Se eu perguntasse aos consumidores o que eles queriam, teriam dito: um cavalo mais rápido”. Jobs acreditava em suas ideias e simplesmente fazia o que era necessário para executá-las.

Intensidade:

Podemos entender intensidade como o valor de grandeza de uma força. Jobs viveu no limite, em tudo que fazia tinha a doação de um leão defendendo sua comida e a sinceridade de uma criança cheia de medo. Era capaz de ficar dias trabalhando sem parar na busca de uma solução. Na relação com as pessoas, ou você era um gênio ou não prestava, para os produtos, ou era uma porcaria ou o melhor produto que já tinha visto.

Jobs necessitava estar no controle de tudo, desde a ideia inicial de um produto até os processos de venda. Nenhum detalhe passava desapercebido, nunca!

Perfeccionismo:

A busca da perfeição era insana, ao ponto de derrubar um prédio porque a posição das escadas e do elevador estava ruim ou jogar fora o trabalho de 6 meses de uma equipe para alterar a posição do vidro na tela no IPhone.

Jobs buscava a simplicidade em tudo. Para ele, o produto ideal tinha o equilíbrio entre a ciência e a humanidade, a perfeição estava na interseção entre a ciência e o humano, para Steve, chegar a este ponto era Magia e Arte. Muitos dos grandes criadores provocavam inovação porque compreendiam a totalidade de uma situação, outros faziam pelo domínio dos detalhes, Jobs fez as duas coisas, insistentemente. Sempre buscou a magia e a arte em seus produtos.

Steve tinha uma relação muito forte com a música, apreciava Bob Dylan, sua música favorita era Like a Rolling Stone:

Trecho final do livro.

Steve Jobs:

O que me incentivava? Acho que a maioria das pessoas criativas quer manifestar o seu apreço por ser capaz de tirar partido do trabalho feito por outros antes. Não inventei a língua ou a matemática que uso. Preparo pouco da comida que como, e nenhuma das roupas que visto. Tudo que faço depende de outros membros da nossa espécie e dos ombros sobre os quais ficamos em pé. E muitos de nós querem dar uma contribuição para a nossa espécie também e acrescentar alguma coisa ao fluxo. Tem a ver com tentar expressar algo da única maneira que a maioria de nós e capaz de fazer – porque não somos capazes de escrever as canções de Bob Dylan, ou as peças de Tom Stoppard. Tentamos usar os talentos que temos para expressar nossos sentimentos profundos, para mostrar nosso apreço por todas as contribuições feitas antes de nós a para acrescentar algo ao fluxo. Foi isso que me motivou.

Walter Isaacson:

Numa tarde ensolarada, quando não se sentia bem, Jobs sentou-se no Jardim atrás da casa e refletiu sobre a morte. Falou de suas experiências na Índia quase quarenta anos antes, de seus estudos sobre o budismo e de suas opiniões sobre a reencarnação e transcendência espiritual. “Sobre acreditar em Deus, sou mais ou menos meio a meio”, disse. “Durante a maior parte de minha vida achei que deve haver algo mais na nossa existência do que aquilo que vemos.”

Ele admitiu que, diante da morte, pode estar superestimando as chances, pelo desejo de acreditar numa outra vida. “Gosto de pensar que alguma coisa sobrevive quando morremos”, disse. “É estranho pensar que a gente acumula tanta experiência, talvez um pouco de sabedoria, e tudo simplesmente desaparece. Por isso quero realmente acreditar que alguma coisa sobrevive, que talvez nossa consciência perdure.”

Ficou em silêncio por um bom tempo. “Mas, por outro lado, talvez seja apenas como um botão de liga-desliga”, prosseguiu. “Clique! E a gente já era.”

Fez outra pausa e sorriu de leve. “Talvez seja por isso que eu jamais gostei de colocar botões de liga-desliga nos aparelhos da Apple.”

Já quando estava muito doente, em seu quarto, alguns meses antes de morrer, Jobs falou para Isaacson: “Eu fiz tudo que podia ter feito.

E nós, será que fazemos tudo que podemos fazer?!

2012 em alguns parágrafos e as mudanças da vida

Este ano de 2012 tem sido de várias mudanças e de algumas indas e vindas:

Trabalhei como professor do Curso Técnico em Informática do Senac Ijuí por 2 anos, na disciplina de desenvolvimento para a Internet. Em janeiro decidi me afastar das atividades no Senac para me dedicar exclusivamente ao trabalho na minha Empresa, a 13 Bits. A decisão de se afastar das aulas no Senac foi difícil , sempre tive um enorme prazer em estar na sala de aula compartilhando e adquirindo conhecimento.  Sinto muita falta de dar aulas e pretendo no futuro retornar à sala de aula, mas não sei como ou onde, por enquanto.

Ainda em janeiro, recebi do amigo Marco Aurélio Ferreira o convite para trabalhar no Senado Federal, no Gabinete da Senadora Ana Amélia Lemos. Não é fácil a decisão de se afastar da sua Empresa, da família, amigos, namorada e várias coisas mais, mas tinha de decidir, e meu coração me levou ao trabalho em Brasília.

Para quem somente morou em cidades do interior, a capital federal é um mundo muito diferente. Mas no Senado Federal fui muito bem recebido por todos, com isso acabei não sentindo maiores problemas de adaptação. O trabalho no Gabinete da Senadora Ana Amélia foi muito bom, pude aprender muitas coisas novas e principalmente conhecer muitas pessoas diferentes. Mas com o tempo, fui ficando em desajuste comigo mesmo, não conseguia ter no trabalho o mesmo prazer e motivação que tenho na minha Empresa e a vontade de retornar foi se intensificando a cada dia.

Sobre a política, da pouca vivência que tive no meio, deixo dois pensamentos apenas: “O mundo político e o sistema público no Brasil é muito mais corrompido do que se imagina” e “Os cidadãos precisam cada vez mais fazer algo pra tentar melhorar a política e o sistema público no Brasil“.

Sobre a Senadora Ana Amélia, somente uma coisa: “Admiração”. É uma política diferente da maioria, dedicada como ninguém e fiel às suas ideias. É digna de todos os elogios, prêmios e reconhecimento que recebe.

A partir da metade deste mês de agosto, estou novamente morando em Ijuí e trabalhando exclusivamente na 13 Bits. Sinto que precisava destas mudanças, para retornar agora com novos sonhos e energia renovada.

Sobre este ano de 2012 cheio de mudanças, deixo duas reflexões: “Não tenha medo das mudanças e tenha coragem de realmente fazer o que você acredita que deve fazer” e “Procure ser uma pessoa melhor, em casa, no trabalho e na família, procure ajudar mais, procure melhorar o seu mundo de alguma forma“.

Deixo dois vídeos que nos fazem perceber algumas coisas que muitas vezes esquecemos no nosso dia a dia.

Dream Rangers – Para o que vivem as pessoas?

Pálido Ponto Azul, de Carl Sagan

Gostaria ainda de agradecer ao amigo e sócio Heini, minha namorada Paula, colegas na 13 Bits e os amigos Rafael e Rodrigo pelo apoio na minha ida a Brasília. E também agradecer muito ao Marco Aurélio Ferreira pelo convite e oportunidade de trabalhar no Senado, ao amigo e pessoa fantástica Renan Arais pela convivência e experiências em Brasília, à Isabel Pimentel pelas tantas conversas e aos demais colegas no Gabinete em Brasília.

Deixe o vento das mudanças bater no seu rosto e seja uma pessoa melhor a cada dia!! Isso é o que importa…

Tudo à sua volta, foi construído por pessoas nada mais inteligentes do que você, e você pode mudar isso

Neste período sem escrever aqui no Blog, faleceu Steve Jobs. Não vou dizer o quanto ele foi, e ainda é, importante para mim como profissional da área de tecnologia e para o mundo atual. Todos sabemos o quanto seus pensamentos e criações representam na sociedade e no comportamento do mundo conectado.

Gostaria apenas de compartilhar um vídeo de Steve Jobs, recentemente publicado na Internet, após a sua morte, onde ele fala em menos de um minuto sobre a sua visão sobre o mundo:

Tradução Livre:

Quando você está crescendo, você tende a ser ensinado que o mundo é como é, e que a sua vida se resume a ser vivida dentro do mundo. Tentar não quebrar muito a cabeça. Tentar construir uma bela família, se divertir, economizar um pouco de dinheiro.

Essa é uma vida muito limitada. A vida pode ser muito mais abrangente a partir do momento em que você descobrir um simples fato: tudo à sua volta, que você chama de vida, foi construído por pessoas nada mais inteligentes do que você, e você pode mudar tudo isso, você pode influenciar tudo isso, você pode construir coisas que outras pessoas irão utilizar.

Uma vez que você aprender isso, você nunca mais será o mesmo.

Steve Jobs é brilhante, não pelas suas criações, mas pela capacidade de perceber e incorporar em sua vida como ninguém, o verdadeiro papel de um sujeito na sociedade: “mudar tudo, influenciar tudo, construir coisa que irão fazer a diferença na vida das pessoas”.

Para quem ainda não assistiu o discurso de Steve Jobs na graduação do curso de Ciência da Computação em Stanford, assista, é o mais inspirador conjunto de palavras disponível na Internet:

Stay hungry! Stay foolish!

Qual a diferença entre “ganhar dinheiro” e “fazer dinheiro”?

Conheci o livro a Revolta de Atlás de Ayn Rand através do relato de Ricardo Jordão descrevendo a importância que o livro teve em sua vida, não pude deixar de comprar e ler.

A Revolta de Atlás é considerado o 2º livro mais influente na cultura americana, atrás somente da Bíblia. Mesmo mais de 50 anos após ser escrito, o livro continua na lista dos mais vendidos nos EUA, 33ª posição no ranking da Amazon em 2009. São mais de 1200 páginas “envolventes e muito enriquecedoras”.

Estou apenas chegando a metade e estou fascinado com a história, ideias e mensagens descritas no livro. Recentemente li o trecho em que ocorre o casamento de James Taggart, onde o celebre, milionário e conhecido como playboy Francisco D’Anconia é questionado por um dos presentes na festa:

– Sr. D’Anconia, o que acha que vai acontecer com o mundo?

– Exatamente o que ele merece.

– Ah, mas como o senhor é cruel!

– A senhora não acredita na lei moral, madame? – perguntou Francisco, muito sério. – Eu acredito.

Rearden ouviu Bertram Scudder, que estava fora do grupo, dizer a uma moça que emitira algum som que traduzia indignação:

– Não se incomode com ele. Sabe, o dinheiro é a origem de todo o mal, e ele é um produto típico do dinheiro.

Rearden achou que Francisco não deveria ter ouvido o comentário, porém o viu se virar para eles com um sorriso muito cortês.

A partir daí inicia um dos melhores discursos que já li, onde D’Anconia fala sobre a origem do dinheiro, o seu papel e importância na sociedade. Raramente paramos para pensar sobre o papel do dinheiro e principalmente sobre o nosso papel como sujeito, no discurso podemos entender a diferença entra a mentalidade de muitos em “ganhar dinheiro”, enquanto o mentalidade ideal  seria “gerar dinheiro”. O trecho também nos ajuda a responder a tão conhecida pergunta “Dinheiro trás felicidade?”.

Abaixo segue o discurso completo de Francisco D’Anconia no Livro, o trecho é extenso para o blog mas vale a pena a leitura:

– Então o senhor acha que o dinheiro é a origem de todo o mal? O senhor já se perguntou qual é a origem do dinheiro? O dinheiro é um instrumento de troca, que só pode existir quando há bens produzidos e homens capazes de produzi-los. O dinheiro é a forma material do princípio de que os homens que querem negociar uns com os outros precisam trocar um valor por outro. O dinheiro não é o instrumento dos pidões, que pedem produtos por meio de lágrimas, nem dos saqueadores, que os levam à força. O dinheiro só se torna possível através dos homens que produzem. É isto que o senhor considera mau? Quem aceita dinheiro como pagamento por seu esforço só o faz por saber que ele será trocado pelo produto de esforço de outrem. Não são os pidões nem os saqueadores que dão ao dinheiro o seu valor. Nem um oceano de lágrimas nem todas as armas do mundo podem transformar aqueles pedaços de papel no seu bolso no pão de que você precisa para sobreviver. Aqueles pedaços de papel, que deveriam ser ouro, são penhores de honra; por meio deles você se apropria da energia dos homens que produzem. A sua carteira afirma a esperança de que em algum lugar no mundo a seu redor existem homens que não traem aquele princípio moral que é a origem do dinheiro. É isso que o senhor considera mau?

– Já procurou a origem da produção? Olhe para um gerador de eletricidade e ouse dizer que ele foi criado pelo esforço muscular de criaturas irracionais. Tente plantar um grão de trigo sem os conhecimentos que lhe foram legados pelos homens que foram os primeiros a fazer isso. Tente obter alimentos usando apenas movimentos físicos, e descobrirá que a mente do homem é a origem de todos os produtos e de toda a riqueza que já houve na terra.

– Mas o senhor diz que o dinheiro é feito pelos fortes em detrimento dos fracos? A que força se refere? Não é à força das armas nem dos músculos. A riqueza é produto da capacidade humana de pensar. Então o dinheiro é feito pelo homem que inventa um motor em detrimento daquele que não o inventaram? O dinheiro é feito pela inteligência em detrimento dos estúpidos? Pelos capazes em detrimento dos incompetentes? Pelos ambiciosos em detrimento dos preguiçosos? O dinheiro é feito – antes de poder ser embolsado pelos pidões e pelos saqueadores – pelo esforço honesto de todo homem honesto, cada um na medida de sua capacidade. O homem honesto é aquele que sabe que não pode consumir mais do que produz. Comerciar por meio do dinheiro é o código dos homens de boa vontade. O dinheiro baseia-se no axioma de que todo homem é proprietário de sua mente e de seu trabalho. O dinheiro não permite que nenhum poder prescreva o valor do seu trabalho, senão a escolha voluntária do homem que está disposto a trocar com você o trabalho dele. O dinheiro permite que você obtenha em troca dos seus produtos e do seu trabalho aquilo que esses produtos e esse trabalho valem para os homens que os adquirem, e nada mais que isso. O dinheiro só permite os negócios em que há benefício mútuo segundo o juízo das partes voluntárias.

– O dinheiro exige o reconhecimento de que os homens precisam trabalhar em benefício próprio, e não em detrimento de si próprio; para lucrar, não para perder; de que os homens não são bestas de carga, que não nascem para arcar com o ônus da miséria; de que é preciso oferecer-lhes valores, não dores; de que o vínculo comum entre os homens não é a troca de sofrimento, mas a troca de bens. O dinheiro exige que o senhor venda não a sua fraqueza à estupidez humana, mas o seu talento à razão humana; exige que o senhor compre não o pior que os outros oferecem, mas o melhor que o seu dinheiro pode comprar. E, quando os homens vivem do comércio – com a razão e não à força, como árbitro irrecorrível –, é o melhor produto que sai vencendo, o melhor desempenho, o homem de melhor juízo e maior capacidade – e o grau da produtividade de um homem é o grau de sua recompensa. Este é o código da existência, cujo instrumento e símbolo é o dinheiro. É isto que o senhor considera mau?

– Mas o dinheiro é só um instrumento. Ele pode levá-lo aonde o senhor quiser, mas não pode substituir o motorista do carro. Ele lhe dá meios de satisfazer seus desejos, mas não lhe cria desejos. O dinheiro é o flagelo dos homens que tentam inverter a lei da causalidade – os homens que tentam substituir a mente pelo seqüestro dos produtos da mente. O dinheiro não compra felicidade para o homem que não sabe o que quer; não lhe dá um código de valores se ele não tem conhecimento a respeito de valores, e não lhe dá um objetivo, se ele não escolhe uma meta. O dinheiro não compra inteligência para o estúpido, nem admiração para o covarde, nem respeito para o incompetente. O homem que tenta comprar o cérebro de quem lhe é superior para servi-lo, usando dinheiro para substituir seu juízo, termina vítima dos que lhe são inferiores. Os homens inteligentes o abandonam, mas os trapaceiros e vigaristas correm a ele, atraídos por uma lei que ele não descobriu: o homem não pode ser menor do que o dinheiro que ele possui. É por isso que o senhor considera o dinheiro mau? Só o homem que não precisa da fortuna herdada merece herdá-la – aquele que faria sua fortuna de qualquer modo, mesmo sem herança. Se um herdeiro está à altura de sua herança, ela o serve; caso contrário, ela o destrói. Mas o senhor diz que o dinheiro corrompeu. Foi mesmo? Ou foi ele que corrompeu seu dinheiro? Não inveje um herdeiro que não vale nada; a riqueza dele não é sua, e o senhor não teria tirado melhor proveito dela. Não pense que ela deveria ser distribuída; criar cinqüenta parasitas em lugar de um só não reaviva a virtude morta que criou a fortuna. O dinheiro é um poder vivo que morre quando se afasta de sua origem. O dinheiro não serve à mente que não está a sua altura. É por isso que o senhor o considera mau?

– O dinheiro é o seu meio de sobrevivência. O veredicto que o senhor dá à fonte de seu sustento é o veredicto que o senhor dá à sua própria vida. Se a fonte é corrupta, o senhor condena a sua própria existência. O seu dinheiro provém da fraude? Da exploração dos vícios e da estupidez humana? O senhor o obteve servindo aos insensatos, na esperança de que eles lhe dessem mais do que sua capacidade merece? Baixando seus padrões de exigência? Fazendo um trabalho que o senhor despreza para compradores que o senhor não respeita? Neste caso, o seu dinheiro não lhe dará um momento sequer de felicidade. Todas as coisas que o senhor adquirir serão não um tributo ao senhor, mas uma acusação; não uma realização, mas um momento de vergonha. Então o senhor dirá que o dinheiro é mau. Mau porque ele não substitui seu amor-próprio? Mau porque ele não permite que o senhor aproveite e goze sua depravação? É este o motivo de seu ódio ao dinheiro? O dinheiro será sempre um efeito, e nada jamais o substituirá na posição de causa. O dinheiro é produto da virtude, mas não dá virtude nem redime vícios. O dinheiro não lhe dá o que o senhor não merece, nem em termos materiais nem em termos espirituais. É este o motivo de seu ódio ao dinheiro? Ou será que o senhor disse que é o amor ao dinheiro que é a origem de todo o mal?

– Amar uma coisa é conhecer e amar a sua natureza. Amar o dinheiro é conhecer e amar o fato de que o dinheiro é criado pela melhor força que há dentro do senhor, a sua chave-mestra que lhe permite trocar o seu esforço pelo esforço dos melhores homens que há. O homem que venderia a própria alma por um tostão é o que mais alto brada que odeia o dinheiro – e ele tem bons motivos para odiá-lo. Os que amam o dinheiro estão dispostos a trabalhar para ganhá-lo. Eles sabem que são capazes de merecê-lo. Eis uma boa pista para saber o caráter dos homens: aquele que amaldiçoa o dinheiro o obtém de modo desonroso; aquele que o respeita o ganha honestamente. Fuja do homem que diz que o dinheiro é mau. Essa afirmativa é o estigma que identifica o saqueador, assim como o sino indicava o leproso. Enquanto os homens viverem juntos na terra e precisarem de um meio para negociar, se abandonarem o dinheiro, o único substituto que encontrarão será o cano do fuzil.

– O dinheiro exige do senhor as mais elevadas virtudes, se o senhor quer ganhá-lo ou conservá-lo. Os homens que não têm coragem, orgulho nem amor-próprio, que não têm convicção moral de que merecem o dinheiro que têm e não estão dispostos a defendê-lo como defendem suas próprias vidas, os homens que pedem desculpas por serem ricos – esses não vão permanecer ricos por muito tempo. São presa fácil para os enxames de saqueadores que vivem debaixo das pedras durante séculos, mas que saem do esconderijo assim que farejam um homem que pede perdão pelo crime de possuir riquezas. Rapidamente eles vão livrá-lo dessa culpa. Então o senhor verá a ascensão dos homens que vivem uma vida dupla – que vivem da força, mas dependem dos que vivem do comércio para criar o valor do dinheiro que eles saqueiam. Esses homens vivem pegando carona com a virtude. Numa sociedade onde há moral eles são os criminosos, e as leis são feitas para proteger os cidadãos contra eles. Mas quando uma sociedade cria uma categoria de criminosos legítimos e saqueadores legais – homens que usam a força para se apossar da riqueza de vítimas desarmadas – então o dinheiro se transforma no vingador daqueles que o criaram. Tais saqueadores acham que não há perigo em roubar homens indefesos, depois que aprovam uma lei que os desarme. Mas o produto de seu saque acaba atraindo outros saqueadores, que os saqueiam como eles fizeram com os homens desarmados. E assim a coisa continua, vencendo sempre não o que produz mais, mas aquele que é mais implacável em sua brutalidade. Quando o padrão é a força, o assassino vence o batedor de carteiras. E então esta sociedade desaparece, em meio a ruínas e matanças.

– Quer saber se este dia se aproxima? Observe o dinheiro. O dinheiro é o barômetro da virtude de uma sociedade. Quando há comércio não por consentimento, mas por compulsão – quando para produzir é necessário pedir permissão a homens que nada produzem – quando o dinheiro flui para aqueles que não vendem produtos, mas influencia – quando os homens enriquecem mais pelo suborno e favores do que pelo trabalho, e as leis não protegem quem produz de quem rouba, mas quem rouba de quem produz – quando a corrupção é recompensada e a honestidade vira um sacrifício – pode ter certeza de que a sociedade está condenada. O dinheiro é um meio de troca tão nobre que não entra em competição com as armas e não faz concessões à brutalidade. Ele não permite que um país sobreviva se metade é propriedade, metade é produto de saques. Sempre que surgem destruidores, a primeira coisa que eles destroem é o dinheiro, pois o dinheiro protege os homens e constitui a base da existência moral. Os destruidores se apossam do ouro e deixam em troca uma pilha de papel falso. Isto destrói todos os padrões objetivos e põe os homens nas mãos de um determinador arbitrário de valores. O dinheiro era um valor objetivo, equivalente à riqueza produzida. O papel é uma hipoteca sobre riquezas inexistentes, sustentado por uma arma apontada para aqueles que têm de produzi-las. O papel é um cheque emitido por saqueadores legais sobre uma conta que não é deles: a virtude de suas vítimas. Cuidado que um dia o cheque é devolvido, com o carimbo: ’sem fundos’.

– Se o senhor faz do mal o meio de sobrevivência, não é de se esperar que os homens permaneçam bons. Não é de se esperar que eles continuem a seguir a moral e sacrifiquem suas vidas para proveito dos imorais. Não é de se esperar que eles produzam, quando a produção é punida e o saque é recompensado. Não pergunte quem está destruindo o mundo: é o senhor. O senhor vive no meio das maiores realizações da civilização mais produtiva do mundo e não sabe por que ela está ruindo a olhos vistos, enquanto o senhor amaldiçoa o sangue que corre pelas veias dela – o dinheiro. O senhor encara o dinheiro como os selvagens o faziam, e não sabe por que a selva está brotando nos arredores das cidades. Em toda a história, o dinheiro sempre foi roubado por saqueadores de diversos tipos, com nomes diferentes, mas cujo método sempre foi o mesmo: tomar o dinheiro à força e manter os produtores de mãos atadas, rebaixados, difamados, desonrados. Esta afirmativa de que o dinheiro é a origem do mal, que o senhor pronuncia com tanta convicção, vem do tempo em que a riqueza era produto do trabalho escravo – e os escravos repetiam os movimentos que foram descobertos pela inteligência de alguém e durante séculos não foram aperfeiçoados.

– Enquanto a produção era governada pela força, e a riqueza era obtida pela conquista, não havia muito que conquistar. No entanto, no decorrer de séculos de estagnação e fome, os homens exaltavam os saqueadores, como aristocratas da espada, aristocratas de estirpe, aristocratas da tribuna, e desprezavam os produtores, como escravos, mercadores, lojistas – industriais. Para a glória da humanidade, houve, pela primeira e única vez na história, uma nação de dinheiro – e não conheço elogio maior aos Estados Unidos do que esse, pois ele significa um país de razão, justiça, liberdade, produção, realização. Pela primeira vez, a mente humana e o dinheiro foram libertados, e não havia fortunas adquiridas pela conquista, mas só pelo trabalho, e ao invés de homens da espada e escravos, surgiu o verdadeiro criador da riqueza, o maior trabalhador, o tipo mais elevado de ser humano – o self-made man – o industrial americano. Se me perguntarem qual a maior distinção dos americanos, eu escolheria – porque ela contém todas as outras – o fato de que foram os americanos que criaram a expressão “fazer dinheiro”. Nenhuma outra língua, nenhum outro povo jamais usara estas palavras antes, e sim “ganhar dinheiro”; antes, os homens sempre encaravam a riqueza como uma quantidade estática, a ser tomada, pedida, herdada, repartida, saqueada ou obtida como favor. Os americanos foram os primeiros a compreender que a riqueza tem que ser criada. A expressão ‘fazer dinheiro’ resume a essência da moralidade humana. Porém foi justamente por causa desta expressão que os americanos eram criticados pelas culturas apodrecidas dos continentes de saqueadores.

– O ideário dos saqueadores fez com que pessoas como o senhor passassem a encarar suas maiores realizações como um estigma vergonhoso, sua prosperidade como culpa, seus maiores filhos, os industriais, como vilões, suas magníficas fábricas como produto e propriedade do trabalho muscular, o trabalho de escravos movidos a açoites, como na construção das pirâmides do Egito. As mentes apodrecidas que dizem não ver diferença entre o poder do dólar e o poder do açoite merecem aprender a diferença na sua própria pele, que, creio eu, é o que vai acabar acontecendo. Enquanto pessoas como o senhor não descobrirem que o dinheiro é a origem de todo bem, estarão caminhando para sua própria destruição. Quando o dinheiro deixa de ser o instrumento por meio do qual os homens lidam uns com os outros, os homens se tornam os instrumentos dos homens. Sangue, açoites, armas – ou dólares. Façam sua escolha – não há outra opção – e o tempo está esgotando.

As conclusões a partir deste discurso são muitas, mas a certeza é de que a mentalidade a que devemos seguir, sem dúvida, é a ideia de “fazer dinheiro”, e melhor do que isso, “gerar riquezas”, somente assim se alcança os valores aos quais encontraremos nossas alegrias.

Novos profissionais, novos mercados, novo ensino!

Compartilho texto escrito em atividade da Pós Graduação em Docência do Senac, falando dos desafios do ensino perante as mudanças do mercado de trabalho e principalmente da mudança no perfil dos alunos atuais, que formam-se com acesso a todo tipo de informação através da Internet, e com isso são cada vez mais capazes de adquirir conhecimento por si e, além disso, tornam-se questionadores das formas tradicionais de ensino e aprendizagem.

Artigo:

Repassando nossa história recente, podemos perceber que, a partir da revolução industrial, as mudanças nos mercados de trabalho passaram a ocorrer cada vez mais intensamente, e em períodos mais curtos. A partir do surgimento da tecnologia, e principalmente da Internet, este processo se acentuou ainda mais. Hoje temos diferentes gerações em espaços de 10 anos apenas.

Neste mercado de trabalho atual, onde as mudanças surgem repentinamente, é necessário que os profissionais sejam extremamente dinâmicos e tenham capacidade de absorver novos conceitos e processos. Devido a grande concorrência, o nível de exigência, tanto no conhecimento técnico, como no emocional, tem aumentado cada dia, exigindo dos profissionais maior dedicação e competências múltiplas, em todas as formas do saber.

Considerando este cenário, e as tendências que temos para o mercado, percebe-se grandes mudanças no perfil de profissionais que o mercado busca, não basta apenas possuis bons conhecimentos em uma determinada área, é necessários múltiplas competências, partindo de uma boa preparação técnica, excelente inteligência emocional, capacidade de aprendizado, consciência social e ambiental e tantas outras qualidades. Desta forma, este profissional necessita de ensino muito mais qualificado e intenso.

Sendo assim, é importante o entendimento de que, o processo de ensino também necessita passar por mudanças, é preciso ensinar e preparar as pessoas, para este novo mercado de trabalho, não basta mais ensinar um conhecimento específico e pré-estabelecido, precisamos repensar as competências a serem trabalhadas, devemos direcionar o ensino para o emocional, preparar as pessoas para serem cidadãos conscientes, que saibam ser responsáveis e se adéqüem a nova dinâmica do mercado.

Talvez, a principal mudança no ensino, deva ser que, não ensinemos mais verdades, estas tem perdido muito seu valor, passemos a ensinar as pessoas e criar novas verdades, ou seja, a serem capazes de serem sujeitos questionadores e criativos, somente assim estes profissionais conseguirão se destacar como profissionais, e principalmente como sujeitos dentro da sociedade.

Do ponto de vista prático, o ensino deve ser direcionado para preparar um profissional multidisciplinar, onde, além de bom conhecimento técnico e uma ou mais áreas, possua boa habilidade de relacionamento, desejo, interesse e capacidade de estar sempre aprendendo coisas novas, seja um sujeito socialmente e ambientalmente responsável, tenha disciplina e dedicação ao trabalho e saiba exercer todas estas virtudes com seriedade e competência.